Depoimentos do Meu Marido


Minha família tão querida! (17/03/07)

 

Só sabe como é difícil a vida de um obeso mórbido, quem já foi ou conviveu de perto com um… Então, leiam os depoimentos de Sergio Mou, meu marido!

ANTES:
Antes de qualquer coisa, é preciso dizer que eu mesmo não sou nenhum modelo. Tenho 1.74m e atualmente devo ter uns 91 kg, ou seja, gordo também. Não é mórbido, pode ser controlado fazendo exercício, coisa que aliás, gosto e tudo fica bem. Mas sou viciado em coca-cola e adoro batata frita, pizza, hamburger, principalmente do Mc Donald´s, então dá pra se ter uma idéia…

Minha esposa Danny, desde do tempo que casamos sempre foi fortinha, mas nada muito exagerado. Mas após uma doença neurológica, tratada com muuuuito corticóide, desemprego, gravidez, muuuuuita falta de atividade e bastante doce, diga-se de passagem comprado por mim, veio à obesidade mórbida.

Situação que você convivendo dia a dia é difícil de ver, difícil de sentir e muito, mas muito mesmo, mais difícil de se falar.

No final do ano passado veio o episódio da piscina, já relatado por ela, mas que vou aqui reproduzir um pouco. Estávamos num hotel na praia, que tinha uma piscininha para crianças. Nossa filha, então com 3 anos, insistia em entrar. A mãe entrou com ela para brincar, mas na hora de sair, percebemos que não tinha escadinha… E a Danny não conseguia sair de jeito nenhum! Foi um show de horror! Ficamos tão nervosos, que além da Danny, nossaa filha também ficou desesperada e chorava junto com a mãe. O nervoso era tanto, que nem conseguimos raciocinar: bastava ter colocado uma cadeira dentro da piscina e tudo teria se resolvido. Puxei ela para fora com muita dificuldade e isso foi a gota d’água.

A noite veio a maior crise de enxaqueca que ela já teve… E eu já presenciei várias antes. Pela primeira vez, estávamos vendo o problema do tamanho, como ele realmente era.
DURANTE:
Depois de alguns percalços, veio a cirurgia. Acho que aqui é o melhor lugar para dizer que, como em tudo na vida, o apoio da família é fundamental. Baseado nessa crença e também acreditando que a cirurgia era uma ferramenta importantíssima para a melhoria da qualidade de vida dela, apoiei a idéia incondicionalmente. Por dentro me veio um medo irracional e enorme de perdê-la. Mas a lógica teve que ser maior que qualquer medo, afinal era saúde dela.

Fiquei alí firme, apoiando todo o processo. Eu não tenho mesmo preguiça quando se trata de colaborar com alguma pessoa, nesse caso específico ainda mais. Então fiz minha parte: acompanhei-a em todas as consultas, estive presente no Hospital 90% do tempo, só saindo para ir em casa resolver algum problema e voltando logo.

No tempo das sopinhas, fiz todas, procurando temperar bem para dar sabor e assim ela poder gostar. Rezei muito. Continuo indo nas consultas, acompanhando-a no Grupo de Apoio Psicológico, comprando as vitaminas e ajudando no que posso.
DEPOIS:
Tenho o maior orgulho e satisfação em vê-la fazendo o caminho sonhado por todo gordo! Eu sei bem porque embora não mórbido, também sou.

Creio que o mais importante é a disposição dela em querer ver a comida como magra, pensar como magra. A 1ª coisa que eu e outros gordos pensam é, mas e o prazer de comer? Pois bem, creio que uma frase que resume bem o que tem que ser feito é: “comer para viver e não viver para comer”. Essa preoucupação com o prazer da comida, eu nunca vi numa pessoa magra.

Agora temos uma oportunidade maravilhosa de tornar a vida dela saudável de fato, porque embora a gordura ainda não tivesse feito nenhum estrago visível, isso não duraria muito mais. Quanto ao convívio social, aí melhorou 200%! E ela está ainda no começo do processo, são só 3 meses.

Eu definitivamente recomendo a cirurgia para quem tem esse problema e não consegue resolvê-lo de outra forma. Mas saliento que não se trata de milagre! É um processo difícil, arriscado, doloroso, que precisa de muita disciplina e coragem. Além, é claro, de bastante conhecimento do que se está fazendo.

Nos depoimentos que tenho visto na internet, uma das frases mais comuns é: “Eu operei o estômago e não a cabeça”, como justificativa para não mudar a maneira de pensar, de ver a comida. Acho que quem pensa assim, está perdendo uma grande chance de realmente mudar… Pois como todos sabem, os efeitos magníficos da Gastroplastia acabam em 2 anos. E eu pergunto: E aí, como fica? Perde-se tudo pelo que já passou, ou vai se dizer que a cirurgia não funciona? Funciona sim, mas é preciso “operar a cabeça”, para realmente resolver o problema. Pois tenham em mente que, embora largamente difundido, a obesidade não é uma doença, mas sim, um sintoma de uma doença maior.

 

1 ANO DEPOIS • 17/08/2006:

Recebi um e-mail muito especial do meu maridão! Vou reproduzir alguns
trechos aqui, para complementar o depoimento dele:

Companheira,

Hoje faz um ano da cirurgia e devemos comemorar. Gostaria de te dar um presente material, mas mesmo se a situação financeira fosse outra, eu acho que seria difícil. Difícil encontrar algo material que simbolizasse a sua conquista. Você mudou, por dentro e por fora, operou o estômago e a cabeça e de quebra ainda operou a alma. Eu tenho enorme dificuldade em expressar o orgulho, a gratidão e inspiração que a sua transformação me traz. A diferença no visual é enorme, mas quem com você convive e luta, lado a lado, pode com absoluta certeza dizer que, o exterior reflete timidamente o que mudou do lado de dentro. Quando olhamos as fotos antigas só podemos ver a capa de gordura do corpo, que trazia um calor aos ossos e escondia a doença real. O importante é sabermos que toda essa beleza estava aí dentro de você o tempo todo. (…)

Temos muitas batalhas pela frente e sabemos que serão árduas. A sua coragem e determinação só me inspiram à continuar lutando. Nesse dia, que eu acho que deveria agora ser o dia do seu aniversário, quero te dar os parabéns. Mas, mais do que isso, quero te agradecer: pela confiança, pela inspiração, pelo bendito fruto do vosso ventre, por tudo, por você existir na minha vida e por me mostrar com seu exemplo, que quando se quer, podemos nos transformar.

UM BEIJO, PARABÉNS, OBRIGADO, TE ADORO!

 

Meu Agradecimento Especial

Quero deixar escrito aqui e compartilhar com todo vocês que visitam o site, um Agradecimento Especial para uma pessoa muito querida: meu marido Mou. Ele me apoiou desde o 1º momento, esteve ao meu lado nas consultas, exames e no Hospital. Durante a dieta líquida, fez caldinhos deliciosos, sucos e sempre trazia água de côco fresquinha. Me incentiva a seguir a dieta. Compra produtos light para mim. Me “puxa a orelha” quando quero me pesar a todo momento. Fica muito feliz com cada nova conquista minha. Enfim, é um super companheiro!
“Sem o seu apoio e incentivo, eu não teria conseguido enfrentar essa batalha. Se hoje sou uma vencedora, quero dividir a glória com você. Você é especial. Te amo muito! Com carinho, da sua esposa Danny.”

 

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