• Pós Operatório Imediato

Minha Gastroplastia • 17/08/2005
Finalmente, o depoimento mais esperado: acordando da cirurgia, a sala de recuperação e a chegada ao quarto!
Eu estava dormindo num sono pesado, quando ouvi uma voz chamar: “Acorda!”. Abri os olhos, sem entender o que estava acontecendo. Ví o Dr. João Almeida perto de mim e ele disse: “Sua cirurgia já acabou, foi um sucesso!”. Eu logo levantei a mão direita em direção ao pescoço. Queria saber se estava entubada! Eu estava meio grogue, pois se estivesse entubada, seria pela boca, não pelo pescoço! O Dr. João logo falou: “Você não está entubada não! Eu não disse que você não ia se lembrar do tubo?”. O enfermeiro colocou o botão da Bomba de PCA na minha mão direita. Parecia um botão daqueles de abajour, compridinho e bastava apertar com o dedão. O Dr. João disse que já havia injetado a 1ª dose de morfina e o resto era comigo. Eu sentia muita dor, estava confusa e não me lembro se falei alguma coisa. O enfermeiro ajeitou o cobertor até a altura dos ombros e disse que ia me levar para a Sala de Recuperação. O Dr. João falou que depois passava lá pra me ver. Foi tudo muito rápido!
A Sala de Recuperação é na verdade um hall gigante, na frente dos Centros Cirúrgicos. Eu tinha medo de colocar a mão na barriga! Não queria sentir, pontos, curativos, dreno, nada… Tinha muito frio, sentia o ar gelado passando, apesar do cobertor e falei para o enfermeiro. Ele puxou o cobertor até o meu pescoço e aí ficou quentinho. Dormi um pouco. Acordei com dor. Comecei a apertar o botão da Bomba várias vezes. Não tenho a menor idéia de quantas vezes, pois dormia e acordava o tempo todo! O Dr. João chegou e disse que eu estava muito bem, nem parecia que tinha operado! Gostei do elogio, mas pensei que eu devia estar pálida e com olheiras… Ele perguntou se eu estava com dor. Eu disse que sim. Ele mandou ir usando a Bomba, que logo passava. Eu disse que não conseguia acordar direito, que estava com muito sono. Ele me lembrou que esse era um efeito colateral da morfina.
Eu continuava a dormir e acordar o tempo todo. Às vezes, erguia um pouco a cabeça, com dificuldade, e falava para alguém que estava passando: “Oi, tudo bem?” A pessoa respondia e ia embora! Devia ser médico ou outro profissional, não o enfermeiro. Logo percebi que o enfermeiro sempre olhava o prontuário, que estava na cama, embaixo do meu pé direito. Então, quando sentia uma mexidinha no pé, abria os olhos e falava com ele. Eu estava muito enjoada também. Falei para o enfermeiro. Logo veio uma injeção, acho que era Plasil. A moça que estava no box ao lado, ficava o tempo todo dizendo que estava bem, que queria ir para o quarto logo. Eu pensei que devia ser muito ruim ficar alí na Recuperação, estando completamente lúcida!
Continuei naquele dorme-acorda-aperta-o-botão-da-Bomba não sei por quanto tempo. O enjôo melhorou. Depois de um tempo, veio um outro anestesiologista e perguntou se eu queria ir para o quarto. Claro que quero! Depois ele perguntou: “Você está acordada? Passou a sonolência?”. Estou acordada sim! Então o enfermeiro veio preparar a minha liberação. Desconectou o Holter de pressão arterial. Eu disse que queria fazer xixi. Ele trouxe uma “comadre”. Tentei, tentei e nada. Acho que deu vergonha de fazer xixi naquele lugar tão aberto. O anestesiologista me disse que a retenção urinária era um efeito colateral da morfina, e que eu deveria ter dificuldade para urinar por um tempo.
Eu perguntei para o enfermeiro, qual Centro Cirúrgico tinha sido a minha cirurgia? Ele olhou no prontuário e respondeu: 23! Não sou supersticiosa, mas achei esse um bom presságio! 23 é o meu número da sorte!!! Quando finalmente chegou a hora de ir embora, perguntei quantas horas eu tinha ficado alí na Recuperação. Ele disse que por umas 2 horas. (Essa informação foi corrigida depois pelo meu marido, que levando em conta a hora que acabou a cirurgia e a hora que eu cheguei no quarto, fiquei na Recuperação por 3 horas). O enfermeiro me deixou num corredor, próximo ao elevador e disse que logo eu ia ser levada para o quarto. Se despediu, desejou boa sorte e eu fiquei alí esperando alguns minutinhos. Depois veio o maqueiro e eu finalmente fui para o quarto!
Cheguei no quarto por volta das 16h, não tenho o horário preciso. Eu ainda fiquei naquele dorme-acorda por um bom tempo. Meu marido estava assistindo um jogo da Seleção Brasileira na TV. Doia um pouco, mas eu percebi que era uma cólica forte e não dor da cirurgia, então fui parando de apertar a Bomba. Muitas pessoas ligaram, mas eu não falei com ninguém. Estava muito sonolenta ainda. Meu marido contou que o Dr. Marcelo tinha dito que a minha cirurgia tinha demorado 2h40 e sido um sucesso, nas próprias palavras dele: “tranqüilo e fácil“. Eu queria saber da vesícula, se ela ainda continuava lá! O Dr. Marcelo disse que tentaram alcançar, mas que não tinha sido possível… Então, a “empedrada” continuava no seu lugarzinho mesmo!Eu ainda sentia muita vontade de fazer xixi. Chamei a enfermeira, que colocou a comadre. Demorou um pouco, mas consegui fazer um xixi enorme. A enfermeira tirou a comadre e lavou. Pouco tempo depois, a vontade voltou. Chamei a enfermeira, mas ela não vinha. Começou a demorar e a vontade foi apertando. Pedi para meu marido colocar a comadre de volta. Outro xixi enorme. Que alívio! Ele mesmo tirou a comadre e deixou no banheiro. Aí, ele resolveu buscar a enfermeira pessoalmente no Posto de Enfermagem! Já que apertando o botão ninguém vinha… Ela finalmente veio. Tinha vazado um pouco de xixi na cama e era necessário trocar o lençol. Eu aproveitei para tirar aquela roupa azul, sem costas. Eles me ajudaram a levantar com cuidado e fui sentar no sofá, enquanto ela trocava a cama. Nessa hora, lembramos que a cama estava com defeito, pois os controles não funcionavam direito.

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