Bomba de PCA
>> Resolvi usar a Bomba de PCA , pois sempre tive muito medo de sentir dor. Só o fato de saber que, ao acordar após a cirurgia, o controle anestésico estaria na minha mão, me dava um tranqüilidade imensa. O custo benefício me pareceu satisfatório, pois a Sul América não cobria. E foi uma excelente escolha que fiz! Senti dores apenas nas 3 primeiras horas, na sala de recuperação. Lá, acionei a Bomba diversas vezes, pois não tinha noção alguma do tempo, ficava num dorme-acorda danado. Depois, já no quarto, acionei poucas vezes, pois não senti mais dor, apenas uma cólica forte, que passou com Buscopan na veia. Fiquei com a Bomba pelo período de 1 dia e meio, mas só fiz realmente uso dela nas primeiras 11h, dividos assim: muito uso nas 3 primeiras horas; pouco uso nas 5 horas seguintes e uso eventual nas demais horas. Apertei o botão 17 vezes, mas injetei apenas 9 vezes a morfina na veia, num total de 11,0 mg. As doses e intervalos são pré-determinados pelo anestesiologista, na consulta pré-cirúrgica. Os efeitos colaterais que senti, foram: náusea forte nas 3 primeiras horas e muita sonolência nas 11 horas de uso. Fui avisada que poderia haver retenção urinária causada pela morfina, mas não tive esse problema. Conclusão: para mim, valeu a pena usar a Bomba de PCA. Acho que esse sistema de analgesia controlada pelo paciente devia ser mais difundido. EU RECOMENDO!

“A Bomba de PCA (analgesia controlada pelo paciente) é muito usada para pós-operatório de grandes cirurgias, ou, como no seu caso, em pacientes com baixo limiar de dor. A medicação utilizada geralmente é a morfina, codeína… São analgésicos muito potentes, auxiliam muito no controle de dor. Só não recomendo o uso abusivo pois, como todo medicamento, tem seus efeitos colaterais. Acho muito válido o uso, pois se você tem medo de ter dor, este método dá segurança pro paciente, pois ele se “auto-medica”… Se você não sabe como é este aparelho, vou lhe dizer, pois na minha área praticamente não uso…. O médico programa a quantidade de doses máximas (para o paciente não exceder a dose). Você aperta um botão, como aquelas campainhas de chamar a enfermeira, e o aparelho libera um “bolus” que é uma dose de medicação. Esta medicação em pouco tempo faz sua ação e ela pode ser liberada através de um catéter, ou na via sanguínea ou peri-dural. Daí o paciente se beneficia da analgesia por um período de pelo menos 4h. Depois disso, se a dor persistir, ele poderá acionar novamente e adicionar analgesia… ou pode já ter passado da fase álgica e não ser mais necessário…. No intervalo menor do que 4 horas, o médico pode ter programado uma dose mínima ou não liberar dose, depende do caso (para não acontecer daquele paciente que aciona à cada 15 minutos ter algum efeito medicamentoso indesejável…).”
Essa é a transcrição de um e-mail que recebi da minha querida prima, Profª Drª Viviana M. Neder Arantes – Cirurgiã Dentista e Especialista em Cirurgia BucoMaxiloFacial, em 26/07/05.
Resolvi usar a Bomba de PCA (Patient Controlled Analgesia mode), pois tenho baixa resistência à dor. Minha prima Viviana deu essa clara explicação do funcionamento do PCA (mensagem acima). Meu cirurgião, Dr. Marcelo Roque de Oliveira, então me encaminhou para uma consulta com o anestesiologista responsável pelo Serviço de Dor Aguda do Hospital Santa Rita, Dr. João Almeida, para fazer a avaliação pré-anestésica e optar pelo uso da Bomba de PCA.
Como meu convênio não cobre consulta com anestesista, fiz particular (R$ 150,00) e valeu a pena! No valor da consulta já está incluso o uso da Bomba. O plano cobre o medicamento, que no meu caso, vai ser a morfina (analgésico mais potente de uso hospitalar). O Dr. João Almeida me explicou detalhadamente o uso da Bomba de PCA e a anestesia geral que vou tomar. Fiquei bem mais tranqüila após essa consulta! Quando eu acordar na sala de recuperação, a Bomba já estará pronta para o uso.
De 8 a 10 de maio de 2003, em São Paulo, SP, realizou-se o 6º Simpósio Brasileiro e Encontro Internacional sobre Dor (Simbidor), reunindo convidados nacionais e estrangeiros, com o objetivo de trocar experiências e novos conhecimentos no campo da dor.
ANESTESIOLOGIA E DOR
O Simbidor também realizou várias palestras na área de anestesiologia e dor, em que foram abordados temas como serviços de dor aguda, controle da dor no pós-operatório ambulatorial, bloqueios anestésicos para o tratamento da dor, o uso do sistema PCA, entre outros. “Este ano, priorizamos comentar as técnicas de bloqueios anestésicos para o tratamento da dor pós-operatória, que consiste não apenas na administração de analgésicos, mas também na administração de bloqueios, com ou sem a associação de anestesia geral”, disse o médico anestesiologista e membro da Clínica de Dor do Hospital 9 de Julho, Dr. Valberto de Oliveira Cavalcante.
Segundo o especialista, a analgesia preemptiva ou preventiva é muito importante no controle da dor pós-operatória. “Quando realizamos um trabalho de controle da dor antes do paciente entrar na sala de cirurgia, observamos que a duração e a intensidade da dor pós-operatória é muito menor. E fazemos esse preparo através da administração de drogas que diminuem, por exemplo, a sensibilização central e periférica ao estímulo nociceptivo repetido”, revela o médico, completando: “No momento em que há uma lesão tecidual, há a liberação de uma série de substâncias que provocam dor. Usamos medicamentos que inibem ou diminuem a quantidade dessas substâncias. Dessa maneira, a intensidade da dor pós-operatória diminui bastante”.
Uma outra forma ainda de diminuir a dor no pós-operatório, de acordo com Dr. Cavalcante, é através da execução de diversos tipos de bloqueios anestésicos, como por exemplo a combinação de uma anestesia geral com um bloqueio de plexo braquial para cirurgias de ombro ou de anestesia peridural com anestesia geral para uma cirurgia de coluna. Através dessas técnicas, observa-se na prática que os pacientes têm uma melhor recuperação. O paciente que não tem dor no pós-operatório, ou tem uma dor mínima, apresentará menos complicações respiratórias e cardiovasculares, menos estresse e, por fim, terá uma alta hospitalar mais precoce.
“Artigos médicos publicados em todo o mundo, de 20 anos para cá, quando houve maior interesse no tratamento da dor aguda pós-operatória, mostram que pacientes cuja dor foi tratada adequadamente no pós-operatório tiveram em média alta hospitalar dois dias antes que os demais”, especialmente nas cirurgias de grande porte, informa. De acordo com o anestesiologista, há a melhoria de uma série de parâmetros observados no pós-operatório que faz com que o paciente se recupere mais rapidamente, tais como deambulação, mobilização no leito, eliminação de gases e a realização precoce de fisioterapia.
Em trabalho apresentado no Simbidor pelo Dr. Narinder Rawal (Suécia), envolvendo pacientes obesos mórbidos submetidos à cirurgia de gastroplastia redutora, ele demonstrou que os pacientes cuja dor foi adequadamente tratada tiveram alta hospitalar mais precoce que aqueles que tiveram uma analgesia convencional, que seria a analgesia em que o médico prescreve analgésico quando necessário ou em horários predeterminados. “O que percebemos na prática diária é que os analgésicos são dados em pequenas quantidades e em intervalos muito grandes, ou seja, num intervalo maior do que o tempo de ação do analgésico, proporcionando uma analgesia pós-operatória falha, diz Dr. Cavalcante.
Quanto ao uso de opióides, o especialista salienta que o problema quanto à utilização destes medicamentos – que são drogas de excelência para o tratamento de pós-operatórios muito dolorosos – é que eles são muito pouco consumidos no Brasil. “Para se ter uma idéia, utilizamos apenas cerca de 2% dos opióides que poderíamos utilizar, quando nos comparamos aos países de Primeiro Mundo. Existe o receio da depressão respiratória, de náuseas, vômitos, sedação, além do medo do paciente se viciar. Por isso, é importante que certos conceitos se modifiquem. É preciso mudar a mentalidade do cirurgião para aceitar que um paciente bem tratado no pós-operatório, isto é, um paciente com um mínimo de dor ou sem dor nenhuma, tem uma ótima recuperação, sai satisfeito com a cirurgia e com a instituição.”
Em relação aos serviços de dor, o médico esclarece que nos grandes hospitais já estão implantados esses serviços e vários autores já publicaram que um serviço de dor bem montado dentro dos hospitais reduz drasticamente o tempo de permanência dos pacientes e melhora muito a qualidade da analgesia pós-operatória administrada. “Acredito que dentro de alguns anos todo hospital que pretenda ser de referência deverá ter obrigatoriamente um serviço de dor aguda, que é um serviço multidisciplinar, envolvendo desde o neurocirurgião, neurologista anestesiologista, enfermagem, até psiquiatria e psicologia.”
SISTEMAS DE PCA
A respeito da analgesia controlada pelo paciente no tratamento da dor aguda pós-operatória, o Professor Associado de Anestesiologia do Departamento de Cirurgia da FMUSP, Dr. Irimar de Paula Posso, ressaltou que a evolução tecnológica possibilitou este conceito, no qual o paciente ao sentir dor, se auto-aplica a medicação analgésica, por via venosa, peridural ou subcutânea, utilizando os mecanismos mais variados, desde uma bomba programável com um software, altamente sofisticada, ou então equipamentos mais simples, em que através de um botão libera-se uma quantidade determinada de substância. “Na verdade, é o paciente quem controla a sua analgesia de acordo com a dor que está sentindo. Porém, este conceito acaba sendo mais enfocado nas bombas de PCA, que são altamente sofisticadas, permitindo que se programe o intervalo entre uma dose e outra e o limite da dose máxima que o paciente irá receber”, relata. As bombas de PCA, no entanto, apesar de muito efetivas, são muito caras e acabam não sendo utilizadas em todos os tipos de pacientes, ficando reservadas para as dores mais intensas.
“Discutimos também o uso do analgésico pelas várias vias em que ele pode ser administrado, a via venosa, muscular, nasal e peridural”, diz Dr. Posso, explicando que a via peridural é a mais eficaz para o controle da dor aguda pós-operatória, em que se coloca um cateter no espaço peridural, no qual é injetado o anestésico local associado ou não a um opióide, em bolus ou por uma bomba tipo PCA “Esse método é muito eficaz porque promove uma boa analgesia, com efeitos colaterais pequenos, se comparado, por exemplo, com a via venosa, que também é boa, mas pode provocar no paciente sonolência, náuseas e vômitos, e do ponto de vista de analgesia pode não ser tão eficaz no paciente.”
*Fonte: Prática Hospitalar
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