• Colelitíase & Colecistectomia

>> Passei por uma cirurgia para retirada da vesícula, Colecistectomia, no dia 28/05/07. Nesse subtítulo, vou explicar sobre a vesícula, sobre os cálculos biliares, sobre a cólica biliar, sobre a colecistectomia e fazer um relato completo da minha cirurgia e recuperação.

 

A VESÍCULA BILIAR

A vesícula biliar tem cerca de 7-10cm de comprimento em humanos e tem uma aparência verde-escuro devido ao seu conteúdo (bile), não ao seu tecido. É conectada ao fígado e ao duodeno através do trato biliar.

Sua principal função é coletar a bile produzida pelo fígado e concentrá-la. Quando a pessoa se alimenta, a vesícula biliar se contrai liberando a bile, a qual passa por um canal chamado colédoco, até chegar ao intestino e encontrar o alimento.

Quando a vesícula biliar deixa de funcionar por doença ou é extraída cirurgicamente, os canais biliares intra e extra-hepáticos dilatam para conter mais bile. Após as refeições, o esfíncter de Oddi se abre e a bile, com pressão aumentada, escorre para o intestino. Sem a vesícula, embora o esguicho seja menor, a quantidade de bile é suficiente para desempenhar sua função digestiva.

 

CÁLCULOS BILIARES

Cálculos biliares ou cálculos das vias biliares, tecnicamente são chamados de litíase biliar. Litíase vem do grego “lithos” – pedra. De fato, cálculos são pedras mais ou menos duras, de variado tamanho e número, geralmente formadas a partir do colesterol e/ou sais biliares contidos na bile. Costumam formar-se lentamente e aumentar progressivamente de tamanho e número.

Cálculos biliares podem existir em

qualquer porção da via biliar, mas aparecem comumente na vesícula e com menor freqüência no colédoco.

Houve muito progresso no entendimento do processo de formação das pedras na vesícula biliar. Os pesquisadores acreditam que ela é causada por uma combinação de fatores, incluindo química corporal herdada, peso corporal, mobilidade da vesícula biliar, e talvez dieta.

Cálculos de colesterol se desenvolvem quando a bile contém muito colesterol e não possui sais biliares suficientes. Além da alta concentração de colesterol, dois outros fatores parecem ser importantes para causar a colelitíase. O primeiro é com que freqüência e quão bem a vesícula biliar se contrai; o esvaziamento incompleto e infreqüente da vesícula biliar pode fazer com que a bile se torne muito concentrada e contribui para a formação dos cálculos. O segundo fator é a presença de proteínas no fígado e bile que ajudam ou a promover ou inibir a cristalização do colesterol em pedras na vesícula biliar.

Além disso, níveis aumentados do hormônio estrógeno como resultado de uma gravidez, terapia hormonal, ou o uso de pílula contraceptiva oral, podem aumentar os níveis de colesterol na bile e também diminuir o movimento da vesícula biliar, resultando na formação dos cálculos.

Não foram provadas relações claras entre a dieta e a formação dos cálculos. Entretanto, dietas pobres em fibras, com altos níveis de colesterol e com alto teor de amido já foram sugeridas como contribuintes para a formação dos cálculos na vesícula biliar. Outros fatores nutricionais que podem aumentar o risco de colelitíase são perda rápida de peso, constipação e pequeno número de refeições por dia.

Estas pedras podem bloquear a saída da vesícula biliar, impedindo o fluxo natural da bile , ocasionando um aumento da pressão dentro da vesícula, levando a um inchaço (edema) e conseqüentemente a infecção . Este estado é conhecido como colecistite aguda. A pessoa apresenta uma dor intensa tipo cólica em baixo da costela direita, com vômitos e posteriormente febre.

Se uma pedra pequena conseguir passar para o canal da bile a pessoa pode ficar amarela e ter complicações severas.

 

Os cálculos biliares podem permanecer silenciosos durante anos ou se manifestarem a qualquer momento. Quando um cálculo da vesícula biliar obstrui o ducto cístico, seu canal de drenagem pára o colédoco, provocando contração da parede muscular da vesícula que se traduz por dor em cólica – cólica biliar. Quando o cálculo se encrava no ducto cístico, impedindo a passagem de bile, esta é retida e desencadeia um processo inflamatório agudo – colecistite aguda. Habitualmente, nessa bile retida, crescem bactérias e a vesícula obstruída se comporta com um abscesso e pode ser o desencadeamento de doença grave.

Os cálculos estão presentes ao redor de 10 a 20% dos adultos entre 35 e 65 anos, predominando entre as mulheres que estiveram grávidas, as que têm excesso de peso e as usuárias de hormônios estrógenos e de pílulas anticoncepcionais.

Pessoas com Diabete Melito e Cirrose estão mais sujeitas a ter pedras biliares do que a população geral.

SINTOMAS: Grande parte dos portadores de litíase vesicular são assintomáticos. 

COLELITÍASE é termo médico para denominar presença de pedras na vesícula biliar.

 

CÓLICA BILIAR

Calcula-se que a metade das pessoas com Colelitíase nada sente.

A dor ocorre em 75% dos casos, lembra torcedura, e é o sintoma mais marcante e freqüente. Aparece na boca do estômago e, na medida em que se intensifica, localiza-se mais à direita, junto à borda das últimas costelas. Pode ser irradiada para a região dorsal e para o ombro direito, bem como para o lado esquerdo do abdômen superior, como uma faixa. Geralmente é de grande intensidade, durando até uma hora nos casos não complicados; por apresentar altos e baixos, faz-se analogia com cólica.

Náuseas e vômitos acontecem quando a dor está no auge. Cabe o comentário de que os vômitos podem ser amarelados pela presença de bile refluída para o estômago e não por se tratar de uma cólica biliar.

 

Raio-X durante uma colecistectomia laparoscópica

Febre representa a associação de inflamação na vesícula. Febre alta com calafrios pode mostrar concomitância de Colangite, uma infecção dos canais biliares provocada por bactérias normalmente presentes no duodeno e que, pela obstrução biliar, tem oportunidade de subir por esses canais.

A icterícia – cor amarelada da área branca dos olhos e da pele – está presente quando há obstrução, mesmo parcial, do canal biliar principal (coledocolitíase) ou quando se soma uma infecção, como a acima mencionada. Nesses casos a urina fica escura (colúria), do amarelo ao marrom, o que pode ser confundido com “urina vermelha de sangue”; ajuda a confirmar colúria, a cor amarela da espuma que aparece na água do vaso sanitário.

Ao exame clínico, há nítida dor à palpação profunda do quadrante superior direito do abdômen, principalmente, junto às costelas deste lado, mais ainda durante uma inspiração profunda. Não é comum, mas ocorre da vesícula estar dilatada a ponto de ser palpável e dolorosa, sugerindo uma inflamação aguda ou agudizada com possibilidade da formação de pus, como complicação.

 

 COLECISTECTOMIA

A colecistectomia, cirurgia de retirada da vesícula biliar, é o tratamento de escolha e definitivo.

Até há algum tempo atrás, predominava a idéia de nada fazer se o paciente nada sentir.

Nos dias atuais, até pelo maior conforto da técnica vídeo-laparoscópica há quem indique a colecistectomia mesmo nos assintomáticos, desde que não haja contra-indicações face à saúde geral do paciente.

O objetivo de operar mesmo as pessoas sem sintomas é evitar as possíveis complicações provocadas pela presença de cálculos e a necessidade de cirurgias de urgência.

Em 1987 Mouret, cirurgião francês de Lyon, realizou a primeira colecistectomia por laparoscopia. Em bem menos de 10 anos o novo método foi aceito em todo mundo, tornando-se, indiscutivelmente, a cirurgia de eleição para as doenças da vesícula biliar. É indicada tanto para litíase não complicada quanto para colecistite aguda.
*Fontes: ABC da Saúde // Corpus Center // Wikipédia 

.
.

>>Leia o relato completo da minha cirurgia!<<