Da Obesidade à Cirurgia
Esse é um depoimento extremamente pessoal! Espero que ao lê-lo, as pessoas possam compreender o que eu passei com a obesidade e como consegui enfrentar o problema!
Meu interesse pela cirurgia de redução do estômago apareceu quando ví a Silvia (amiga da minha irmã) em maio/03. Ela estava tão magra e elegante, que parecia até mais alta! Fazia um ano que ela tinha operado.
Em novembro deste mesmo ano, resolvi que poderia ser uma alternativa para mim também, já que meu IMC na época era de 40,2. Através da Unimed Paulistana, marquei uma consulta com um famoso cirurgião aqui de São Paulo (prefiro não citar o nome!). No dia da consulta tive que arrumar paciência para esperar quase 4 horas! Quando chegou a minha vez, logo de cara o famoso doutor “jogou” um balde de água fria em mim! Com um discurso do tipo, no seu caso um regime resolve; a Unimed não vai aprovar a cirurgia para você; a cicatriz é enorme; etc… ele me despachou rapidinho, sem orientação alguma. Me mandou voltar em 4 anos, caso não tivesse emagrecido… Bem, a possibilidade de ficar 4 anos pesando mais de 100Kg e com obesidade mórbida, mexeu comigo! Saí do consultório arrasada…
Logo em seguida, no mês seguinte, comecei um regime e segui por 2 meses, até o final de janeiro do ano seguinte (2004). O resultado obtido foi bom, consegui emagrecer 9Kg e continuei obesa, mas não era mais mórbida! Nesta época também, comecei a hidroginástica no Sesc. Era legal, mas eu tinha muita vergonha de usar o maiô…
Em julho, depois que meu marido foi demitido do emprego que tinha há 7 anos, larguei a hidro. Ela estava segurando meu peso, pois já tinha abandonado o regime também! Aí começou uma verdadeira “bomba relógio” no meu organismo! Em 7 meses, engordei os quilos que havia perdido e mais, muito mais, chegando a histórica marca de 117Kg em janeiro/2005!!!
A História da “Piscininha”
Mas vamos voltar um pouco nessa história, mais precisamente para o dia 30/12/04, quando estávamos numa Pousada em Peruíbe-SP, para o Reveillon. A Alyssa (minha filha, com 3 anos na época) quis muito entrar numa piscina infantil, mas já era no final do dia e meu marido não quis acompanhá-la. Então, euzinha aqui, que adoro piscina, resolvi entrar com ela na água. E foi uma delícia!
Brincamos bastante, mas na hora de sair, é que eu reparei que não tinha escadinha. Tentei sair usando a força dos meus braços, mas não consegui. Era muito peso para eles! Meu marido tentou me puxar e nada… A Alyssa começou a chorar e eu fui ficando desesperada! Aí, com muita dificuldade e meu marido me ajudando, consegui levantar uma perna e acabei rolando na borda, para fora da piscina. Foi um verdadeiro vexame!!! Graças à Deus, não tinha ninguém para presenciá-lo!!!
Um detalhe: se eu não tivesse ficado tão nervosa na hora, teria pedido para ele colocar na água uma daquelas cadeiras de plástico. Aí, eu sairia fácil, subindo na cadeira! Bem, o lance foi tão forte, tão violento, que me marcou profundamente. Acho que marcou a nós três!!! Minha filha não conseguia esquecer esse assunto, sempre falava que “a mamãe não conseguia sair da piscina porquê era muito gorda”. Isso me deixava muito envergonhada…
Naquela noite, tive a pior crise de enxaqueca da minha vida! Foi terrível!!! No dia seguinte – o último de 2004, tomamos uma resolução para o próximo ano: eu iria me dedicar a emagrecer de qualquer maneira, com todo o apoio do meu marido!
Logo em janeiro/2005, marquei uma consulta com um especialista em obesidade, desta vez pela Medial Saúde. Mas foi um verdadeiro fiasco! O médico era esquisito, e disse coisas do tipo, “que minhas veias e artérias podiam explodir a qualquer hora”; “que a gordura que eu tinha na barriga só se dissolveria com injeções de enzimas”, cuja aplicação poderia ser feita alí mesmo na clínica dele, por módicos R$ 350,00… Minha vontade era de sair correndo dalí!!! Mas eu não desisti!!!
Através da Central do Assinante, meu marido descobriu que a Medial tinha um programa de Medicina Preventiva, para tratamento da obesidade mórbida – entre outras doenças. Após 2 entrevistas com psicólogas, no dia 26/01/05 ingressei no programa, que poderia finalmente me conduzir à cirurgia, depois de +/- um ano.
Resumindo: em três meses, eu tive que passar mais duas vezes com a Psicóloga, quatro vezes com a nutricionista, 2 vezes com a cardiologista, 3 vezes com a endócrino e 2 vezes com o gastro. Fiz um monte de exames e descobri que tenho pedras na vesícula e um pouco de gordura no fígado (grau I). Todos esses profissionais faziam parte da equipe de Medicina Preventiva da Medial Saúde e o meu plano cobriu tudo.
Consegui emagrecer 5Kg com a orientação da nutricionista (que era show de bola!!!) e só tive algum “desconforto” em relação ao Gastro. Ele achava que eu não devia optar pela cirurgia, pois meu corpo era grande, porém proporcional, com gordura “ginecoidal”. Que emagrecendo uns 25Kg, eu iria ficar uma gorda atraente. Mas eu já tinha sido uma gorda atraente por muitos anos, agora queria ser uma pessoal que usa roupa tamanho normal!
Todo esse programa é muito bom, dá um excelente acompanhamento, mas sua principal função é adiar ao máximo a cirurgia! Tanto que a fila de espera (não confundir com carência) chega até 2 anos! No dia 15/04/05 abandonei o Programa, pois saímos da Medial.
A melhor coisa que podia me acontecer, foi ter a Sul América no novo trabalho do meu marido! Como é plano empresa, não tem carência, então no dia que recebemos as carteirinhas, ele logo ligou para o Instituto Garrido e marcou uma consulta. Já tínhamos excelentes referências sobre essa equipe e o nosso plano cobria tudo, inclusive a operação por vídeo, que era o meu maior desejo! Nada de cicatriz enorme para cuidar e recuperação mais fácil. Eu sabia que o porte interno da cirurgia é o mesmo que na aberta, porém por fora, a coisa é mais fácil.
Então, no dia 04/07/05 peguei todos os meus exames e fui na consulta com o Dr. Marcelo. Ele conversou bastante, esclareceu todas as dúvidas, me pediu uma avaliação psicólogica, mais um monte de exames e me encaminhou para pré-agendar a data da cirurgia. Isso mesmo, já deixar a data agendada!!! De todos os exames que eu tinha feito pela Medial, só precisei refazer o eletrocardiograma, os outros todos valeram. Saímos do Instituto Garrido nas nuvens, ainda chocados com a facilidade do processo! Mas notem, foi rápido assim, pois eu já havia passado em inúmeras consultas com especialistas e realizado a maior parte dos exames necessários. O Dr. Marcelo disse que tudo isso valia e não era necessário repetir as consultas com os médicos do próprio Instituto.
Assim, meu caminho da Obesidade Mórbida rumo à Cirurgia terminou no dia 17/08/05.

Essa sou eu, no dia 23/05/05, comemorando o 13° aniversário de casamento e vestindo um terninho tamanho 3G!
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